quinta-feira, maio 21, 2009

Crise PMDB x PT no Pará

CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ


Sessão: 117.3.53.O Hora: 16:27 Fase: GE
Orador: ASDRUBAL BENTES Data: 21/05/2009



O SR. PRESIDENTE (Edio Lopes) - Passamos a palavra ao ilustre Deputado Asdrubal Bentes, do PMDB do Pará, para uma breve comunicação.

O SR. ASDRUBAL BENTES (Bloco/PMDB-PA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, primeiramente quero agradecer a benevolência e a condescendência do nobre Deputado Capitão Assumção, que aquiesceu me ceder esse espaço antes do seu pronunciamento no Grande Expediente para que eu possa externar o sentimento de repulsa que assola, no momento, toda a família peemedebista do Estado do Pará.

Sr. Presidente, o casamento só é bom e duradouro enquanto persistirem o amor, o respeito mútuo, o entendimento, a afinidade e a identidade de propósitos. Assim é na política. As alianças só podem perdurar enquanto aqueles requisitos forem respeitados. No momento em que eles deixam de existir, é ruptura.

Falo isso porque, no meu Estado, o Pará, nas eleições passadas para Governo do Estado, para Presidência da República, Senado, Deputados Federais, Deputados Estaduais, fizemos uma grande aliança com o PT e outros partidos para eleição do Lula e também da Governadora Ana Júlia Carepa.

O PMDB, Sr. Presidente, foi fundamental para que a Governador Ana Júlia estivesse hoje no Governo do Estado do Pará.

Não fosse o apoio maciço, de sol a sol, que o PMDB emprestou à sua candidatura, tenho certeza, jamais ela seria a Governadora do Estado do Pará.

Mas existem pessoas que têm memória curta, que esquecem rápido, que cospem no prato em que comeram. E é o que está acontecendo no meu Estado do Pará. A Governadora Ana Júlia e os seus liderados, os seus companheiros, na Assembleia Legislativa do Estado, declaram que o PMDB foi um mero coadjuvante. É o que diz o Líder do Governo do Pará na Assembleia Legislativa do Estado. Ora, se o Líder do Governo fala essas coisas, claro que está falando em nome do Governo que ele representa.

Sinceramente, Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, pessoalmente, eu me considero desvinculado e desobrigado de qualquer apoio à Governadora Ana Júlia Carepa, do Estado do Pará. Se o meu partido decidir que vai continuar apoiando como coadjuvante, eu vou declarar em alto e bom som, pela primeira vez vou me rebelar, vou ser contra a Liderança maior do meu partido, a quem sempre fui solidário, mas não posso aceitar que um partido do porte do PMDB, que é o maior partido do Brasil, que no meu Estado elegeu o maior número de Prefeitos e o maior número de Vereadores, venha a ser chamado de coadjuvante. Pois se nós somos coadjuvantes, nós devemos sair da base aliada do Governo Ana Júlia Carepa. Se depender do meu voto, do meu apoio, da minha opinião, da minha sugestão, o partido deve romper já, agora, hoje, não esperar mais um minuto sequer. Porque se nós somos coadjuvantes
(microfone cortado).

O SR. PRESIDENTE (Edio Lopes) - Para suas conclusões, Deputado.
O SR. ASDRUBAL BENTES Sr. Presidente, desculpe, a emoção é muito grande, porque empreguei o meu sangue, o meu suor, o meu trabalho nessa eleição para a Governadora para hoje não ver reconhecido esse nosso trabalho.

Deixo o meu recado ao PMDB do Estado do Pará, ao meu grande líder, Deputado Jader Barbalho, que sempre costuma colocar panos quentes, costuma ser um pouco mais democrata, mas esta não é a hora: já que eles não nos querem que fiquem sós, que vão governar sós; e nós vamos continuar dando apoio aqui, em Brasília, ao Presidente Lula que merece nosso respeito.

Mas a Governadora do Estado do Pará precisa aprender que política ninguém faz sozinho, que política deve haver apoiamentos. O PMDB já lhe deu o apoiamento necessário, e S.Exa. não mais precisa, não respeitou e, por isso mesmo precisa ficar sem ele.

Concluindo, Sr. Presidente, que o PMDB do Estado do Pará decida romper já com a Governadora Ana Júlia Carepa, porque S.Exa. não precisa de coadjuvantes e se diz autossuficiente.

Então S.Exa. vai ver o que é bom para tosse.

2 comentários:

Partido Social Cristão disse...

A política não está circunscrita na vontade de uns sobre outros... A democracia muito menos! 2010 vem ai... Vai ter muito puraquê na praça. Para quem não conhece, "Poraquê" vem da língua indígena tupi, e significa "o que faz dormir" ou "o que entorpece", dado às descargas elétricas que produz...
Galera do peixe paraense!

Val-André Mutran disse...

Acredito que haverá mudanças significativas na atual bancada dos partidos.
Tomara que o povão afie e não eleja bacuraú!